A tangerina, ao lado da produção de morangos, está ganhando a cada ano, a atenção de novos produtores. Com o crescimento da produção, a cidade de Socorro sedia, pela terceira vez, um dia de campo dedicado à fruta. O evento foi realizado no sítio São José, no Jaboticabal, na terça-feira, 23, com a parceria entre Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Casa da Agricultura de Socorro, Agencia Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e Centro Apta Citrus. A programação contou com um ciclo de palestras, no período da manhã, e com a parte prática, à tarde.
Palestras – o dia de campo começou com a palestra do pesquisador, engº agrônomo, José Dagoberto de Negri, do Centro de Citrus “Sylvio Moreira” – IAC/APTA, sobre “Poda e desbaste em tangerinas”. Existem podas para diferentes objetivos: formação, condução ou manutenção (evita desenvolvimento exagerado), aeração de ramos internos, produção, limpeza ou sanitária (ramos secos ou galhos doentes) e rejuvenescimento (para planta sadia, porém com má produtividade). Os métodos de poda visam controlar a arquitetura da planta, auxiliar no controle de doenças e pragas, forçar desenvolvimento e crescimento de novos brotos, melhorar a qualidade dos frutos, melhorar a incidência de luz no interior da copa, reduzir o tamanho da planta, eliminar ramos fracos e revitalizar a planta. De Negri falou sobre os principais tipos de poda, os resultados obtidos no controle de pragas como a mancha marrom de alternaria e o manejo correto após a poda.
Outro tema abordado pelo pesquisador foi o raleio ou desbaste, quando há retirada do excesso de frutos da planta para que não haja competição pelo alimento e consequentemente a produção de frutos pequenos. O raleio ou desbaste pode ser feito manualmente ou com produtos químicos, cujas vantagens e desvantagens foram apresentadas durante a palestra. O engenheiro demonstrou dados obtidos em pesquisas utilizando os dois métodos de raleio em tangerinas. Em seguida, os produtores acompanharam a palestra sobre “Manejo intercalar de pomares de tangerinas”, com o pesquisador Horst Bremer Neto, departamento de produção vegetal, da Esalq/USP, de Piracicaba. O pesquisador abriu a palestra apresentando dados sobre os diferentes tipos de cultivo intercalar da tangerina, porém ressaltou que o correto depende de cada produtor e de seus objetivos.
De acordo com Bremer, a primeira preocupação do produtor deve ser com a rentabilidade da propriedade, que está diretamente relacionada com eficiência produtiva e não com a produtividade absoluta. Para isso, o produtor deve estar atendo à alguns detalhes que melhoram a produção, com economia, como escolher o porta-enxerto que mais combina com a espécie plantada; utilizar métodos eficientes e de baixo custo no manejo de pragas e doenças, já que é o que mais onera o citricultor; aplicação de insumos sem desperdícios; organização do espaço físico e o manejo correto da vegetação intercalar, que segundo Bremer é a chave para o sucesso do citricultor.
Entre as alternativas para o manejo da vegetação intercalar, o pesquisador apontou os métodos mais utilizados, como o gradeamento da área; vegetação espontânea, plantações de exploração econômica (por ex.: milho), plantio de leguminosas, plantio de gramíneas ou utilização de cobertura morta. Em todas as alternativas, o engenheiro ressaltou as principais causas e efeitos na produção da tangerina, deixando para o produtor escolher o método mais adequado para o pomar.
Pragas e doenças – o tema de pragas e doenças do citrus ganhou destaque no dia de campo em virtude do aparecimento de novas doenças e da falta de controle de alguns citricultores em todo o Estado. O biólogo José Luiz Silva falou sobre “Controle das pragas mais comuns no cultivo de Ponkan”, que é a espécie mais produzida em Socorro. Silva ressaltou a importância da formação de um inspetor de pragas ou “pragueiro”, que vai analisar cada pé do pomar. Para um controle eficiente, o pragueiro deve preencher uma planilha com as analises para verificar quando deve ser feita a pulverização. De acordo com Silva, 30% de infestação já deve ser tratado. Um inspetor consegue analisar cerca de 10 pés de tangerina a cada 30 minutos. Em Socorro, a produção é essencialmente familiar, em pequenas propriedades, o que permite o próprio citricultor realizar a tarefa. As “armas” para o pragueiro são papel, caneta e uma lente de aumento específica para fruta.
Entre as principais pragas que hoje afetam a tangerina estão o ácaro marrom da ferrugem, ácaro branco, ácaros tetraníquideos (purpúreo, mexicano e texano) e o psilideo que é o transmissor do greening, uma das principais doenças do citrus atualmente. Para todos os tipos de praga existem controles com predadores naturais, como o ácaro predador, ácaro pêra, ácaro maça, ácaro morango e joaninha, entre outros. Por isso o produtor tem que estar atento ao ciclo de vida das pragas e dos predadores naturais, pois o uso incorreto de insumos químicos pode acabar com os predadores e selecionar as pragas mais resistentes aos tratamentos. O greening mereceu um capítulo à parte durante o evento, já que a doença que mais preocupa o citricultor atualmente e foi abordado pelo engº agrônomo Rodrigo do Valle, da Fundecitrus.
O greening é uma doença causada por bactéria e transmitida por inseto sugador de floema (psilideo) e por enxertia. Quando afeta plantas em crescimento elas não chegam a produzir e plantas em produção logo ficam improdutivas. Sem o manejo de controle corre-se o risco de uma epidemia. A infestação ocorre quando um inseto transmissor suga uma planta contaminada. O principal hospedeiro é uma espécie de árvore, conhecida como murta. Essa doença é transmitida rapidamente pelo pomar e nas folhas causa descoloração irregular, amarelamento, queda de folhas e seca do ramo. Nas frutas, o greening causa deformação e abortamento das sementes.
Por ter um ciclo de vida longo, a fêmea do psilideo pode botar de 200 a 800 ovos ao longo da vida. A recomendação é que o produtor deve arrancar o pé doente para não contaminar outro dentro do pomar e também o pomar vizinho. Entre as ações para evitar o greening é não ter murta na propriedade e comprar mudas de viveiros idôneos. Para encerrar a parte teórica, os agentes do Banco do Brasil falaram sobre um novo projeto da instituição, que pode auxiliar os produtores rurais, o Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS).
O objetivo do DRS é desenvolver e implementar ações estratégicas, mobilizando agentes econômicos, políticos e sociais, para impulsionar o desenvolvimento sustentável. A proposta é gerar trabalho e renda, democratizar o acesso ao crédito, impulsionar o associativismo e o cooperativismo e contribuir para a melhoria dos indicadores de qualidade de vida.
Prática – Após a abordagem teórico, os participantes foram divididos em quatro grupos para sair à campo e aprender, na prática, os conceitos abordados na primeira parte do evento. Foram quatro estações, cada uma com 20 minutos de duração e com auxílio de um especialista. Uma estação abordou a maneira correta de se fazer a poda e o raleio em no pomar de tangerina, com o pesquisador Dagoberto de Negri. Em outra estação, os participantes acompanharam a abordagem sobre manejo intercalar de pomar, com orientações sobre os tipos de plantas que podem ser mantidas nas ruas dos pomares, sem prejudicar o crescimento da tangerina. Na terceira estação, os produtores aprenderam como analisar a presença das principais pragas e inimigos naturais em ponkan, observando os frutos no pomar e, por último, houve uma apresentação sobre técnicas de irrigação.
Fonte: Departamento de Comunicação Social da Prefeitura de Socorro e Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo.